Não o via desde do liceu, passaram muitos anos. As lembranças eram muitas, a miúda nova que veio para um liceu desconhecido, onde ela própria não conhecia ninguém. Ele era o barra a matemática, ela tinha aprendido a gostar de matemática da escola de onde vinha era imperativo saber bem matemática. Ficaram amigos. O liceu acabou e nunca mais se viram…
O encontro deu-se nas piores circunstâncias. Ele tem um cancro, está completamente perdido, com uma depressão. Questiona o que foi a vida dele, estudar, estudar ser o maior, ter uma Licenciatura ter um Mestrado, ter um Doutoramento. E agora diz que não viveu, não soube fazê-lo. Está nos fins dos dias dele e não viveu.
Ela já esteve em iguais circunstâncias mas tinha algo diferente, ela viveu, ao contrário dele… ela tinha acabado o liceu e tinha ido dar a volta à Europa durante dois meses, sem dinheiro com uma mochila às costas uma guitarra e partiu com mais 4 pessoas. Ela dormiu num banco de jardim em Paris, tomou banho em fontes, tocou guitarra para pedir esmolas para continuar a sua viagem, atravessou fronteiras de noite com medo de ser apanhada, trabalhou em restaurantes para ter um prato de comida. Ela já tinha vivido um grande amor, tinha amado e tinha sido amada. Quando pensava que era o fim dos seus dias ela sorria com as lembranças do que tinha vivido. Era cedo de mais para partir deste mundo, mas no fundo ela tinha vivido. Ele não consegue sorrir…as lembranças quais lembranças??? ” Nunca deixem nada por fazer, nunca deixem nada por dizer.”
Reside a esperança de que ele se salve e com uma nova oportunidade que a vida lhe dê ele vá então viver.





