Nunca jogo no Euromilhões porque nunca ganho nada e quando vejo os números não me consigo livrar da sensação de ter deitado dinheiro à rua. O meu colega de trabalho vai sempre terças e sextas meter os papeis para a reforma...nunca lhe saíram mas ele insiste e persiste.
Podia vangloriar-me dizendo que não tenho sorte ao jogo
porque tenho sorte ao amor, tentando fazer valer essa velha máxima. Mas o que é
certo é que não tenho sorte aos dois.
Raras vezes me lembro desse grande prémio e mesmo quando
passo à porta do quiosque e vejo em letras garrafais os milhões do próximo
prémio, ou ouço o meu colega a dizer que vai meter os papeis para a reforma, nem aí tenho vontade de jogar. Detesto jogos de sorte. As
probabilidades estão sempre contra mim. Não confio em coisas ou circunstâncias
que me querem fazer acreditar que a minha vida pode melhorar sem trabalho,
dedicação e esforço.
É quando tenho tarefas que detesto fazer que me sai um
lamento. Se ao menos me saísse o Euromilhões. Demitia-me. Mudava de casa.
Mudava de carro. Nunca mais limpava e só cozinhava para meditar com os tachos.
Acontece-me sempre, quando tenho de concluir tarefas que não
gosto no trabalho, ou quando os prazos me estão a apertar os calcanhares.
Imagino que vou ao quiosque e por acaso, nem tinha pensado naquilo, num momento
de inocente tentativa, lá pedia uns números da máquina.
Nesse sonho acordado eu ganho uma batelada de dinheiro mesmo
a tempo de não ter de concluir a tarefa que me anda a moer. lolll
Sonho acordada porque a dormir...já durmo tão pouco quanto mais sonhar.
Lá vai o meu colega meter os papeis para a reforma.

















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