Perdida e desanimada me confesso. Não sei se é do frio, se é
do mês que nunca mais acaba, se é o meu passado que me pesa com violência o medo, o saber que tenho de seguir em frente, mas fico numa espécie de impasse. Como se tivesse tirado uma senha e nunca mais chega ao
meu número. Racionalmente nem eu me entendo. É como se estivesse à espera de
ver coisas a acontecer e não se passa nada. Tenho vontade de fazer alguma
coisa, mas nem eu sei o quê. Já fui ao cinema duas vezes, corro todos os fins
de semana, para desanuviar. Já me agarrei a um livro novo que estou a adorar.
Mas nada. Pareço aqueles cães que quando ouvem a palavra bola perdem as
estribeiras e já ninguém os agarra. Eu sinto que o meu cérebro está à espera
que alguém atire a bola para correr atrás dela. O meu cérebro está assim,
entretido a fazer analogias de merda como se pode ver.
