Nunca usei máscaras, mostro-me como sou.
Por vezes caio e penso que não me conseguirei reerguer, outras vezes levanto-me
do chão e acredito que não voltarei a cair.
Dou o que tenho sem
esperar nada em troca. Digo o que penso e tenho aversão a pessoas hipócritas.
Já passei noites a
chorar até adormecer, já me deitei tão feliz que não consegui fechar os olhos.
Já sorri a chorar de
tristeza e chorei de tanto rir.
Há momentos em que sinto muito a falta de alguém de Ti.
Quando não sei o que fazer tenho por hábito enrrolar os fios
de cabelo . E desvio o olhar com frequência, sei lá, é como se de certa forma,
os meus olhos pudessem denunciar o que guardo cá dentro.
Gosto da chuva, gosto até de caminhar à chuva do cheiro da terra molhada e da roupa colada ao
corpo, das gotas que escorrem pelo rosto.
Tenho manias
especificas para adormecer, coisas de menina pequenina, preciso de espaço e não
dispenso o lençol. Faço ninho em qualquer canto que me transmita aconchego e
segurança, mas dormir é uma história mais longa.
Pergunto muitas vezes
“porquê” quando estou pouco esclarecida, tenho uma necessidade de conhecimento
sem fim. Quando estou muito tempo calada, estou triste com certeza.
Gosto de me sentar no
chão de pernas cruzadas. Ouço música no volume máximo e canto sempre mesmo que
não saiba a letra.
Tenho uma ligação
imensa aos prazeres simples, alegram-me as pequenas coisas. A natureza
fascina-me e não consigo viver sem um pouco dela todos os dias, o céu
estrelado, o pôr-do-sol.
Tem momentos que falo
muito, mas prefiro falar pelos cotovelos do que falar pelas costas.
Nunca vou recuar porque a vida já me magoou. As minhas
cicatrizes lembram-me de tudo o que sou, não desisti e aqui estou.
Não sei amar pela metade, nem viver de mentiras. Não sei
voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas nem sempre sou a mesma.
E então aceitas-me
como sou? Com todos os defeitos e todas as qualidades? Com os meus erros e as
minhas promessas mal cumpridas? Com a minha força e o meu medo?