Pode uma vida tão curta ter muito para contar? Sim, se o
tempo não for a medida do essencial. Stepnhen Sitton, o rapaz de 19 anos que comoveu o Reino Unido e as
redes sociais provou-o. Ele próprio disse: “Já não faz sentido medir a vida pelos
anos que se passam aqui, mas por aquilo que se consegue fazer, pela diferença
que se marca, enquanto aqui se está. “ David Cameron, primeiro-ministro britânico,
resumiu todas as outras vozes que o disseram quando o miúdo inglês morreu
durante o sono, no hospital, na quarta-feira dia 14: “Não me recordo de ter
conhecido alguém com um gosto tão grande pela vida e uma convicção tão grande
(..). Estava determinado a não desperdiçar um minuto, a não desperdiçar uma
hora ou um dia. “ essa foi uma decisão que Stephen tomou quando soube que tinha
um cancro incurável. A sua história não seria uma história de lagrimas mesmo
que acabasse com a morte. Queria ser médico. Quando, em Novembro de 2012 soube
que o cancro alastrar, desistiu. Se não podia ser médico, então seria outra
coisa no tempo que lhe restava. Quanto? Meses. Criou um blogue em Janeiro de
2013 onde fixou 46 objectivos. No topo da lista estava recolher 12 mil euros
para a TDC – Teenager Cancer Trust, organização que ajuda adolescentes com
cancro- dos quais nem um cêntimo beneficiaria. O seu apelo na internet
tornou-se viral, rapidamente ultrapassou o alvo. Deu várias palestras de
motivação lançou um livro e quebrou um recorde mundial ao juntar mais pessoas a
desenharem um coração humano. Entretanto o cancro alastrara-se. De volta ao
hospital, publicou um selfie de despedida, com um sorriso e de polegar em cima.
Em janeiro, ao falar a 4 000 empresários, dissera: “Tenho
montanhas de motivação e pouco tempo para as usar. Vocês não me podem dar o
vosso tempo mas eu posso tentar dar-vos alguma da minha motivação para fazerem
a diferença.” Ele seguramente fez.
Fonte Revista sábado de 22 de maio de 2014