Há dias em que se passa de um estado de extrema felicidade,
de planar no paraíso para de repente sermos levados para o inferno contrário...
dias em que adormecidos dentro do tempo, rastejamos por dentro da pele tentando
encontrar a nossa saída, uma porta onde possamos encontrar a velha sensação
mágica de que somos donos do mundo, mesmo não o sendo.
Foi talvez isso que me aconteceu naquelas vinte e quatro
horas, em que de sorrisos o rosto se cravou para de repente o céu se toldar de
negro, a pessoa era o cobarde nada mais
que o cobarde que com o meu dinheiro foi de férias com outra, fazendo-o descer à mais profunda tristeza!
O choque anafilático das duas emoções foi tão forte que
simplesmente fiquei insensível à dor, nem as lágrimas foram capazes de se
soltar, e os sorrisos apenas ficaram os de sempre! Um cobarde será sempre um
cobarde, digo às pessoas comuns que nos conhecem, ele é um cobarde extorquiu-me
quinhentos e tal euros e foi de férias com outra na boa, na melhor…isto não é
um homem é um cobarde. E ele como cobarde que é continua a viver a vida, na
mais profunda das alegrias…como se nada fosse…na boa.
Mas é a vida! E ela não espera para ser vivida, nem o tempo
se compadece com quem fica à margem da rua a vê-la passar... e ao que parece
neste estádio de anestesia entre a felicidade extrema, entre uma entrada no
céu, e a descida ao inferno, o tempo fechou-se e a barreira foi ultrapassada,
passou ao nível seguinte....