quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Limites

A única coisa que tem limite é a própria vida, um dia a morte vêm e “leva-nos”.Nós (seres humanos) somos o único animal que tem consciência de que vai morrer. Esta consciência tem a ver com o facto de nós, não vivermos simplesmente no presente, a nossa imaginação projecta-nos para o Futuro. A morte é para nós o que vai acontecer mais tarde ou mais cedo, vivemos com essa certeza no horizonte.

Em termos biológicos estamos condenados à morte. Heidegger dizia “O homem é um ser para morrer” e “Desde que um homem nasce ele já é suficientemente velho para morrer”. Fernando Pessoa de uma forma cruel dizia que o homem “ é um cadáver adiado que procria”.

A morte é inevitável, é um visitante clandestino, não se anuncia, ou será que anuncia??? Por vezes na nossa vida deparamo-nos com situações, que nos levam a pensar nela como algo próximo. Uma doença, daquelas em que só o próprio nome diz tudo. E aqui somos capazes de chorar a nossa própria morte.

Eu já chorei a minha, mas percebi que de nada valia, pura perda de tempo. Tenho de viver o tempo que me resta da melhor forma possível, seguir com a vida o mais normal possível, porque no fundo não sei quando vou morrer.

Se só a vida tem limite, quer dizer que posso ir sempre mais longe. Posso mas tenho de ter em atenção, até onde eu posso ir, quais os custos que vou ter, física e psicologicamente. É bom termos a noção de que não há limites, mas também ter a noção dos riscos que corremos. Por vezes o melhor é desistir de algo. Se sei que sou o elo mais fraco, desisto, para quê criar ilusões irrisórias, para um dia o sofrimento ser maior, a dor de que perdi.

Desistir não é só um sinal de fraqueza mas também de sabedoria….

Por uma Andorinha