quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Do Nada para o Infinito

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que se veja à mesa o meu lugar vazio.

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que hão-de me lembrar de modo mais nítido.

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que só uma voz me invoque a sós comigo.

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que nem vivo esteja já um verso deste livro.

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que terei de novo o nada a sós comigo.

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que o Natal terá qualquer sentido.

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que o Nada retome a cor do Infinito.

David Mourão Ferreira

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que se veja à mesa o meu lugar vazio.

Chegou o mês do Natal!! Enquanto se enchem de encanto as ruas das nossas cidades, se preparam festas e prendas, uma crescente parte da nossa população aproxima-se de uma das mais tristes quadras do ano.
Ninguém lhes enviará um postal ou e-mail copiado de muitos remetentes em que somente foi mudada a linha de cima com o seu nome. Se este Natal for como os outros, haverá então alguns que no mais profundo da sua solidão, decidirão pôr termo à sua vida, enquanto na porta ao lado, na casa ao lado se festeja. Será então o primeiro Natal em que à mesa o seu lugar terá ficado para sempre vazio.

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que nem o Natal terá qualquer sentido.

Vive-se este Natal debaixo de uma das mais graves crises de que há memória na recente história da humanidade. Quando se tenta procurar algo semelhante a mais pálida lembrança é a crise do Crash da bolsa de Nova Iorque, nos EUA, no final da segunda década do século XX.
Terá o Natal qualquer sentido nesta profunda crise em que estamos?? Para alguns de certeza que não terá....

Há-de vir um Natal e será o primeiro
Em que o Nada Retoma a cor do Infinito.

Quando falamos do Natal actualmente o que nos vem à cabeça e o consumismo exacerbado, as prendas, só se pensa nas prendas. Podemos no entanto, concentrar a nossa atenção no espirito do Natal, " guardando o bebé e deitando fora a água". è que o espirito do Natal é todo ele a materialização do modelo da solidariedade. O espirito do Natal permite pensar na essência do "Nada que retome a cor do Infinito"

Por Uma Andorinha