sábado, 24 de janeiro de 2009

Com ou Sem Cabelo...

Há uns tempos atrás viver sem cabelo não era um obstáculo!! Era um profundo vale... Quando fui à cabeleireira ia convencida a rapálo... mas corteio ficou mais curto. Agora ele continua a cair por mais tratamentos - ampolas que ponho - ele continua a cair. Estou outra vez a ganhar coragem para o ir cortar tem de ser.

Penso que eu não vou "viver sem cabelo" eu "vou existir sem cabelo". Há uma diferença, uma diferença feita de atitude que não serve tão bem quanto a um sapato já usado. Tratamentos outra vez, isto caso precise - estou preparada para tudo - ainda não sei os resultados dos exames ainda não sairam, mas caso precise... Significa CARECA...Humanamente penso que não é possível habituar-me à maneira como as pessoas me vão fixar. Mas o que elas irão ver - falta de cabelo, de sobrancelhas, de pestanas - preocupa-me menos o que elas irão ver.
Sou uma pessoa a viver com um Linfoma. SIM, esta bateu com força e deixa as suas marcas "bate-lhe tu também" digo eu "com a firme intenção de deixares a tua própria marca" Todas as vezes que saio, recordo-me que há pessoas (muitas) que preferem esquecer que esta doença existe. A realidade é que a não ser que encontrem um exemplo inesquécivel do que esta doença não pode fazer, nunca mudarão a sua forma de pensar.

Deixando de escrever sobre mim estas palavras que se seguem são para os médicos, as enfremeiras, técnicos de laboratório e recepcionista que têm estado ao serviço à mais de sete meses.
Um pouco de reconhecimento faz maravilhas.
Palavras de apoio quando o equipamento intravenoso falha pela terceira vez, histórias engraçadas mesmo depois de terem picado em todos os lados à procura de uma veia... As maneiras de mostrar quanto valor têm aqueles que cuidam de nós durante os tratamentos são inumeráveis.
Pensem um pouco. O cancro para eles é uma experiência diária. De certeza que os oncologistas já perderam mais doentes do que o número de pessoas que conseguiram curar. Todos querem ajudar foi por isto que escolheram este trabalho.
Contudo pergunto-me se, muitas vezes o fardo daquilo que fazem como soldados frente à grande batalha contra o cancro não pesa muito mais que a satisfação. Em grande parte é a confiança que exprimimos (verbal e emocionalmente) que os mantém motivados para fazerem o seu melhor.
Já gritei e continuo a gritar que aqueles que cuidam de mim são o que há de melhor!!!!