sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Emoções Veneno


Todos os aspectos de nós próprios que negamos, todos os pensamentos e sentimentos que consideramos inaceitáveis e errados acabam por se dar a conhecer nas nossas vidas. Quando andamos demasiado ocupados e atarefados, não prestamos atenção às nossas emoções, escondemos os nossos impulsos e qualidades revestidas de vergonha, o que nos coloca em risco de explosão. Numa questão de minutos quando menos esperamos um aspecto rejeitado ou indesejado de nós próprios pode emergir e destruir as nossas vidas, a nossa reputação. E isso é o efeito Bola de Praia.

Pegamos numa Bola de Praia e tentamos mantê-la debaixo de água, durante um período prolongado. No momento em que nos descontraímos ou desviamos a atenção, a bola salta para cima salpicando-nos. Por outras palavras a bola de Praia - os nossos impulsos reprimidos e o sofrimento não processado - salta e bate-nos na cara sabotando os nossos sonhos roubando-nos a dignidade, deixando-nos encharcados de vergonha.

Depois de sermos envergonhados, cada um de nós cria uma cortina de fumo que esconde do mundo exterior a vergonha profunda que sentimos no íntimo.E aparece o medo.

O medo desencadeia os nossos pensamentos mais destrutivos e dá origem a emoções como:o sofrimento, o desespero, a tristeza, a ira,a inveja e o ódio.

O sofrimento: o sofrimento não resolvido está na base de todos os comportamentos aditivos e compulsivos. E quando intensificado pelo nosso medo de confrontar os incidentes que nos magoaram em primeiro lugar, faz com que nos voltemos a magoar, fazendo coisas lesivas para nós e para os outros.

O desespero: o desespero despoja-nos da nossa autoconfiança e não nos deixa ver as possibilidades e oportunidades que estão mesmo à nossa frente. No seu auge, somos levados a magoar os outros e a nós próprios numa tentativa de encontrar um salva-vidas que evite que nos afoguemos na nossa amargura.

A tristeza: A tristeza saudável é uma emoção necessária. Dá aos nossos corações uma maneira de lamentar aceitar e por fim ultrapassar as desilusões da vida. Mas quando somos atingidos por perdas que não conseguimos compreender ou que nos recusamos a abdicar a tristeza enevoa a nossa visão, o que vai inibir a nossa capacidade de dar e receber amor e desfrutar da vida.

A Ira: Quanto temos medo, a ira é um sistema de reacção natural. Mas quando alimentada por demasiado medo e agravada pela vergonha, a ira saudável forma uma arma de destruição.

A inveja: a inveja é a protecção exterior das nossas inseguranças interiores. A inveja é o fogo interior cujas chamas podem crescer rapidamente, fazendo-nos reagir violentamente de modos mesquinhos e vingativos. No ensaio "Da vida e do sexo", o psicólogo Britânico Havelock Allis disse " A inveja é o Dragão que mata o amor com o pretexto de o manter vivo".

O ódio: é uma forma de projectar nos outros os sentimentos horríveis que não temos maneira de digerir. Quando projectado para o exterior procura incutir medo na pessoa que é odiada, mesmo quando a pessoa odiada somos nós próprios. A nível pessoal o ódio priva-nos do respeito por nós próprios, da dignidade e daquilo que todos nós procuramos - o amor.

De uma coisa podemos estar certos, se não tratarmos dos nossos medos destas emoções veneno, um dia eles tratarão de nós. Então a verdade acerca de nós próprios que nunca quisemos ver ou que fosse vista. Será exposta.”

Ideias retiradas do Livro "Quando as pessoas boas fazem coisas más" de Debbie Ford.