A primeira opção sempre me pareceu um crime objectivo, que nenhuma sociedade civilizada deveria tolerar.
Uma negação da ética médica, desde logo, porque a medicina existe para curar, não para matar. E a impossibilidade de cura não implica, logicamente, a transposição da fronteira que nos conduz para o homicídio puro e simples.
O "direito à morte", proclamado pelos defensores da eutanásia, sempre me pareceu uma forma de defender o "dever de morte" quando a vida humana não pode ser vivida na sua plenitude.
Acontece que é possível não viver na plenitude das nossas capacidades físicas e, apesar de tudo, levar existências válidas e mesmo felizes.
Acontece que é possível não viver na plenitude das nossas capacidades físicas e, apesar de tudo, levar existências válidas e mesmo felizes.
Legitimar o "direito à morte" não é mais do que aceitar que algumas vidas, apenas porque são marcadas pela doença, ocupam um patamar inferior de dignidade.
Existe uma diferença fundamental entre matar e deixar morrer.
E a segunda opção, ao contrário da primeira, é precisamente o que sucedeu em Itália. Eluana Englaro teve um acidente de viação há 17 anos. Em coma irreversível durante esse período, a existência de Eluana é suportada por máquinas que fazem o trabalho por ela. Não falamos de uma vida.