quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Tranquilidade Absoluta

Sento-me na frente dele, diante da secretaria, ele olha para mim, baixa a cabeça, coça a cabeça, levanta e volta a olhar para mim.
Dr.F - O seu sistema imunitário é o que sabe, você vai para as suas loucuras e depois fica assim…constipada, rouca. Vai viver muitos anos, há uns anos atrás a sua doença era um certificado de óbito, mas hoje em dia nada disso, é curável. Sabe Didi não tenho medo de morrer, não me importava de morrer se fosse hoje, não me importava, a vida deu-me a maior alegria e o maior desgosto, deu-me uma filha fantástica, Maravilhosa a luz dos meus olhos, mas de repente levou-ma, um desgosto com o qual não consigo viver. Se morresse hoje a minha querida mulher ficava bem financeiramente…por isso estaria tudo saldado, a minha consciência esta tranquila…podia morrer hoje. O que me assusta é o sofrimento o ter uma morte dolorosa isso assusta-me. Veja até um animal tem medo da dor, quando lhe levantamos a mão para lhe bater ele encolhe-se.
Eu - è sempre assim, se tivéssemos que escolher entre ter um dias de sofrimento, embora fossem mais uns dias de vida, e levar um tiro certeiro, escolheríamos sempre o tiro certeiro.
Saio para um serviço externo e vou a pensar nas palavras dele se eu morresse hoje, também tinha tudo saldado nesta vida e a consciência tranquila…Porque a Marisa morreu, não sei talvez exista mesmo o destino, e a hora dela tenha chegado não sei…sempre que entro naquele escritório e vejo a foto grande dela fico triste e pergunto “Porquê???”.