quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Aceitar o amor e a vida não dá felicidade



"Primeiro que tudo, antes de tudo... existe a entrega, física e total.
Conhecer o toque da língua e o sabor do cheiro; de olhos fechados.
A geografia do corpo e a pele aprendida até à exaustão, com as mãos, com a boca, com os olhos.
Saber que aquele grito estrangulado que parece um soluço e não é mais do que a repetição de um nome vai surgir.
O conhecimento dos corpos é lento e deve fazer-se devagar, para que a repetição transforme os gestos e os sussurros em componentes de um ritual.
Depois acontece a entrega: "toma o meu corpo, eu deixo".
Mas antes do antes, existe o amor. Tem de existir.
Redime e dá sentido. O profano passa a sagrado, o sagrado transforma-se em cimento.
Existe antes de tudo e para lá de tudo. É o antes do antes e o depois do depois.
Amor é saber: "conheço-te para lá do tempo e do espaço. Sei de ti onde quer que estejas."
"Quando o amor e o corpo se encontram, a chama da divindade é acesa. Quando dois corpos nus se cruzam e torcem por amor... não há nada que esteja fora do lugar.
O amor manifesta-se de forma física, é possível sentir-lhe a textura e o gosto.
Nunca cansa, é de sempre.
Aceitar o amor é apanágio de quem aceita a vida. É característica de quem esperneia, de quem se sabe indignar. O amor não direccionado - vulgo solidariedade - é importante, mas não arranha.
Uma coisa é certa: aceitar o amor e a vida não dá felicidade; mas justifica ser aqui e agora."
Azul Bebé – Filomena Falé


Ao ler trouxe lembranças de um passado que passou e jámais voltará...