(...)Queriam que fossem reses num estábulo, mas nós fizemo-las sentirem-se pessoas.
- E de que serviu? Todas as crianças do transporte de Setembro morreram.
- Valeu a pena. Não foi em vão. Lembras-te de como abriram muito os olhos quando cantavam o Alouette ou quando ouviam histórias dos nossos livros vivos? Lembras-te dos saltos que davam quando lhe púnhamos meia bolacha na marmita?
- E o entusiasmo com que preparavam as peças de teatro!
- Foram Felizes, Edita.
- Mas durou pouco...
- A vida, qualquer vida, dura sempre muito pouco. Mas se conseguiste ser feliz pelo menos por um instante, terá valido a pena vive-la .
- Um instante! De que tamanho?
- Muito curto. Basta ser feliz o tempo que um fósforo demora a acender-se e apagar-se.
Dita fica calada e calcula quantos fósforos se acenderam e apagaram durante a sua vida. Foram muitos, nem sequer consegue conta-los. Muitos pequenos momentos em que a chama brilhou, mesmo na mais absoluta escuridão. "
A Bibliotecária de Auschwitz -Antonio G.Iturbe pag. 270
