Hoje sinto me assim, num passado marcante e bastante
distante.
Odiei tão fortemente a pessoa que mais amava, um dos pilares
da minha vida, a pessoa que me dizia não, a pessoa que mais mimava como nunca
mais ninguém conseguiu mimar ou talvez até amar. Foi das piores dores que tive,
e durante anos não te perdoei o facto de teres desistido de tudo, por uma
maldita doença. Aos 30 anos fizeste com que o meu coração ficasse quebrado e
sem reparação. Transformei a dor em luta, e segui com a minha vida, tantas
vezes senti a falta de uma palavra tua, de um abraço, de um carinho ... e ainda
hoje sinto. Precisava da tua força, da tua sensatez, do teu caracter
persistente e assertivo. Vejo te tantas vezes nas noites de trovoada, quando íamos
fotografar os relâmpagos para a praia, o canhão da Nazaré os dois. Quando o sol brilha o olho para o céu e faço o
que me disseste, “Um dia irás olhar para o céu o sol vai brilhar, e vais
te lembrar de todas as loucuras que vivemos, foram muitas, do carinho e do amor
que vivemos…porque a vida é feita de momentos e temos de aproveita-los enquanto
podemos…depois ficam as memórias e as boas lembranças.” É dos poucos
momentos em que me sinto mais próxima de ti. Hoje precisava de ti. Mas
infelizmente há muitos anos que essa hipótese foi destruída.
Amar-te-ei eternamente como dizia a Ana, outro homem assim jamais
encontraras, estão em vias de extinção, e acredita estão mesmo…os que há só
pensam com a cabeça do baixo.
Hoje não consegui silenciar o meu coração...
