Ao longo dos anos, tenho deixado de lado muitos sonhos.
Percebi que não eram alcançáveis.
Ainda assim, não deixei de sonhar.
Não enquanto durmo.
Mas naquela altura em que fecho os olhos e, em silêncio e no escuro, permito-me agarrar-me um pouco a eles, para tentar tornar a realidade um pouco mais leve, mais bonita, menos dura.
E nas manhãs seguintes, finco bem os pés no chão, coloco um sorriso no rosto (embora já não consiga fazê-lo sempre, como em tempos) e encaro a realidade. Essa, que não dá descanso, mas é a única que pode ser vivida.
