Ando recentemente a ler um livro perturbante sobre o tempo que temos de vida e a gestão que fazemos do mesmo.
Gosto do silêncio, mas as pessoas teimam em iniciar uma conversa sem perceber os sinais de um bom momento de silêncio, talvez seja o receio de ficarmos só, rodeados de pessoas, quem sou eu para considerar correto ou errado algo tão natural como falar, devo ter uma paixão gigante por horas de corrida por isso mesmo, o silêncio que uma corrida invoca é incrível, posso estar num lugar silencioso andar aos gritos com o meu eu.
Preciso de correr, preciso de silêncio…o despertador toca, é sinal
de que o tempo não é meu, por norma nunca para de correr, por muito que procure
encontrar uma ordem para encaixar tudo no seu tempo, toca e desligo rápido, não
preciso olhar, sei que horas são, levanto-me visto os calções e a t-shirt,
calço as meias e as sapatinhas adidas que parecem umas luvas. saiu levo um
frontal por cima do buff, serve a primeira meia hora mais para evitar uma
entorse, esta escuro , rapidamente
habituo me a escuridão, aprendi, a saber
estar no silêncio da madrugada, no barulho
da serra, dos animais que não vemos, mas eles sabem de nós a distância de
quilómetros, pelo nosso cheiro levado
pelo vento, pelo nosso barulho, tem outros sentidos que esquecemos ter, penso
no percurso que vou fazer, "obriga" muitas vezes a subir e
descer várias vezes a mesma encosta para acumular desnível, enquanto subo
presto pouca atenção a envolvente, os
trilhos são pouco diversificados em termos de terreno, é um lugar pouco prático, muito
escorregadio, o que obriga a uma maior
aplicação de força e tento sempre evitar descer, quando isso acontece escolho
bem os trilhos, quando subo procuro ouvir cada músculo principalmente o tendão
de Aquiles, os gémeos, aquela sensação de ácido láctico pelos músculos, aquela
falta de propulsão por fadiga ou inclinação da subida, aquele sabor estranho na
boca e o desespero mental "isto não
termina" os glúteos latejam e a minha mente tem apenas um foco
"vamos quase quase" no final da subida contrariar a vontade de chegar
a zona plana parar ou andar, procuro contrariar a mente e o físico, obrigando o
corpo a reagir, eu sei que vou numa lentidão brutal no entanto este esforço mental em mudar de ritmo, iludi
e penso vou rápido, estou bem, são frações de segundos, estou a correr num
falso plano, a minha postura de corrida está melhor, consigo uma sincronia de corrida aceitável, a
mente corre, numa descida que
convida a correr rápido, acredito que
quanto mais relaxada vou mais rápido corro e menos stress sinto... deixo me ir…hoje
vou ter um bom dia de trabalho…
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