Há um amor que me falta nas paredes cheias de um coração roto. Há uma saudade que não se explica nos lugares vazios.
No mundo ideal, nas utopias imaginadas com tudo aquilo que
gostaríamos de ter, imagino experimentar o outro lado... O do amor recíproco.
Sem mas. Sem porquês. Só sentir e fazer sentir. Imagino perder-me nos
pormenores e nas pequenas coisas do dia a dia que, são ainda as poucas capazes
de revelar um coração. Imagino aquele desejo carnal aliado ao sentimento tão
bonito de querer guardar a pessoa para sempre. Imagino o que é ter alguém que
te dê tudo aquilo na medida do que tu dás. E não, não preciso disso para me
sentir completa, mas gostava. Não quero morrer sem isso.
No mundo real, onde já ninguém se preocupa com ninguém, onde
as pessoas batem com a porta com a mesma facilidade com que a abriram, só quero
viver. Mas com verdade. Com total transparência. Cartas em cima da mesa e jogo
limpo. Quero ter a certeza do que posso e não posso dar e do que é para ser em
vez de ter que adivinhar. É pedir assim tanto?
