Às vezes gostava de ser menos explosiva, menos impulsiva e
um tudo nada mais paciente. Gostava de conseguir articular os meus pensamentos
antes de eles ganharem voz. Gostava de ser mais comedida com as palavras e
saber escolhe-las consoante as situações. Não me acontece muitas vezes. Digo as
coisas exatamente da forma como as sinto, sem pensar muito, para o bem e para o
mal.
Precisava, tantas vezes, ter um filtro na língua para me
travar em determinados momentos... Quando dou por mim, já disse... Nem pensei
muito, mas disse. Não me condeno pelo que digo, mas pela forma como digo...
Quase sempre a roçar na acidez, quase sempre cáustica.
Por outro lado, sou exatamente a mesma que diz que ama, que
gosta e que admira. Sou a mesma que se rodeia de gente boa, com a mesa cheia de
risos e corações a latejar. Quem me tem, sabe o que tem. Sabe que onde houver
verdade cabe tudo. Sabe que não me pode pedir para fingir ou disfarçar seja o
que for.
Aliás, o meu rosto denuncia-me sempre.
Quem me tem por perto, sabe que vou dar sempre a minha
opinião, e se não a queres ouvir, não ma peças... Não sei fazer floreados nem
ser politicamente correta... Essa versão, deixo para as gentes mornas desta
vida.
O primeiro impacto comigo geralmente nunca é bom. Não sou a
pessoa mais cordial deste mundo e, na verdade, não quero ser. Não tenho os
braços abertos para qualquer um. Tenho sempre a resposta pronta... E se me
desafiarem muito, atrás de uma vêm outras tantas. Sou difícil por vezes, também
o reconheço. Mas quem aguenta este meu (péssimo) feitio, colhe todo o meu lado
bom.
