Confesso que apesar da “tenra idade” que tenho já corri
mundo, tive esse privilégio de vida, uma mochila às costas, uma guitarra
percorri parte do continente europeu, Espanha, França, Alemanha, Holanda, Áustria,
Itália, Polonia, Checoslováquia, sim ainda sou deste tempo, e por fim a que mais
adorei São Petersburgo, Rússia, antes muito antes já tinha sido Brasil e a
Argentina, dezasseis, dezassete anos, depois veio Macau e Hong Kong.
Mas…ao ler esta citação de Fernando Pessoa: " Às vezes ouço passar o vento, e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido!" revejo-me totalmente! Não é que o vento seja a minha intempérie favorita, mas sentir uma brisa num dia de sol sabe bem; ver o movimento das árvores a balouçar com o vento também é fabuloso, ouvir o som de um riacho a passar; cumprimentar o nascer do sol (esta é uma das minhas favoritas); o desenrolar das ondas na praia ou a formarem-se altas e depois a rebentarem.
Serão provavelmente as coisas belas e gratuitas que podemos
assistir. Não é preciso dinheiro, estatuto ou outra condição social. Valerá
mesmo a pena é estar de olhos bem abertos ou de ouvidos à escuta.
E como diz a Inês, o sol está a nascer onde está o teu
grito e eu canto, GRITO, mesmo isto;
And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
Then the sign said, "The words on the prophets are
written on the subway walls
In tenement halls"
And whispered in the sound of silence
E hoje foi assim…amanhã é outro dia….
