A minha mãe é uma detalhista exímia.
Quando falo com ela sobre qualquer tema, dá-me pormenores a mais. Não quero dizer pormenores estapafúrdios porque também me parece exagero, mas dá-me uma quantidade exagerada de pormenores sobre qualquer assunto.
Se vai ao médico, transmite-me passo a passo o que o médico lhe disse, nos entretantos, até dizer por fim que se sentou no sofá.
Eu sou mais prática e vou direta ao assunto, corto caminho,
ou detenho-me apenas nos aspetos essenciais para dar a compreender o assunto em
questão.
Por um lado, não é mau ser assim, tão detalhista, imagino
que para escrever um romance, e há romancistas assim, detalham até ao ínfimo
pormenor. Há qualidades nisso.
Mas para mim, que sou o oposto, infelizmente, corto muitas
vezes a conversa com " avança, avança", para chegar mais rapidamente
à conclusão.
E aí é que vem a frustração, a conclusão é tão detalhada
como o desenvolvimento e não é nada doutro mundo.
Mas às vezes quando a história dela é bem contada, estamos
desejosos que salte os pormenores e vá direto à conclusão.
