Que gosto de ver filmes…gosto, normalmente aos dias de
semana isso não acontece…mas no meio do tudo que me está acontecer…comer
vomitar, vomitar até a água que bebo…e no meio de uma noite complicada, resolvi
sentar-me no sofá até que a mal disposição passasse e ver este filme. Gostei
imenso. E tocou-me porque que é certo é todos
somos estranhos uns para os outros no início.
Depois de perder o pai no acidente trágico 9/11, o rapaz da
história resolve numa incessante busca procurar pistas sobre o seu pai, através
de uma chave perdida.
Nessa busca conhece muitas pessoas, a quem procura pistas
sobre essa chave, que pensa que era destinado a si.
Pessoas essas, estranhas, que não conhece de parte alguma.
Muitas delas, no fim, ficam suas " amigas" e no
pouco ou na pequena troca de palavras, trocam-se experiências e momentos de
proximidade e afeto.
Mais do que isso, o rapaz confidencia os momentos mais
dramáticos e perturbadores que carrega dentro de si, que "despeja" em
estranhos. E isso acaba por ser libertador dentro dele. Dentro do seu
coração/alma, vai arrumando os seus sentimentos, graças à capacidade dos "
estranhos" o terem ouvido, ali, naquele momento, quando ele precisava.
A capacidade de desabafarmos com " estranhos" pode
mesmo ser libertadora, pois não há julgamentos, nem estamos propriamente à
procura de consolo, só mesmo um bom par de ouvidos, e às vezes ainda é mais
fácil desabafar com pessoas que não têm laços connosco do que propriamente com
pessoas que já conhecemos há muito tempo.
E foi exatamente isto que se passou comigo…à algum tempo
atrás…o que é mais curioso é que a pessoa em causa deixou de ser um estranho
para mim…mas a sensibilidade dele a inteligência dele…fez com que nunca mais tocasse
naquele assunto delicado para mim, o assunto morreu ali. Os estranhos que
deixam de o ser e nos tocam cá dentro.