Há dias em que me sinto bonita. Leve. Boa onda. Há dias em
que me sinto a última bolacha do pacote, bem amassadinha, esquecida, ali quase
a "roçar" o fim da validade.
Há dias de muito sol, há dias de tempestade que tento me
desviar mas caio estatelada na poça da água. E eu rio. Porque eu gosto muito
dos dias de sol e sei que não há dois dias iguais.
Há dias que o medo me atrapalha. Desassossega-me.
Abalroa-me. Encosta-me naquele cantinho como se estivesse a passar um furacão e
eu estou ali a tentar segurar-me ao virar da esquina.
Há dias em que me apetece só chorar e as lágrimas nem caiem.
Outros em que é difícil segura-las e elas desabam qual rio douro a
transbordar. Há dias, muitos, em que me doem as queixadas de tanto
rir, caramba como é bom.
Mas há dias em que me sinto empoderada. Com uma sorte do
caneco. Com a vibe no máximo a achar que consigo partir isto tudo e rodar a
baiana enquanto bebo o meu tinto maduro em copo de pé alto sem deitar fora.
A vida às vezes parece estar do lado certo, outras vezes bem
virada do avesso. Vai na volta, e eu nem sei qual é o meu lado
certo... mas é só a vida a acontecer.
