sexta-feira, 18 de abril de 2025

Olá Solidão...

 

A solidão que mais pesa não é a de estar só.

É a de estar e não ser. É estar à mesa com vozes e gargalhadas e sentir que falas uma língua que ninguém percebe. É andar pelas rotinas do dia com passos inteiros e sentir que, por dentro, estás aos bocados.

Não tem som, nem lágrima, nem palco. É uma presença invisível que se senta ao teu lado e te acompanha como se fosse parte do teu corpo. Sabes que está lá porque o peito te fica mais apertado à noite. Porque o café arrefece nas tuas mãos sem dares por isso.

Porque deixas de escolher músicas e começas só a deixá-las tocar.

É um buraco onde nada encaixa. Nem os abraços certos, nem os telefonemas longos, nem as mensagens que dizem “tenho saudades”. É a certeza de que, mesmo que alguém venha, não vai saber onde te encontrar.

A solidão é esse intervalo entre o que mostras e o que és. Esse espaço vazio onde ninguém pousa. Onde até tu tens medo de entrar.

Não te afasta das pessoas.

Afasta-te de ti.

E quando dás por isso, já te esqueceste do caminho de volta