Há uma saudade que não se diz. Uma saudade que não se grita, porque doeria demasiado ouvi-la em voz alta.
Tenho saudades do que fui. Da versão de mim que ainda não sabia certas verdades. Que acreditava que os “para sempre” duravam.
Saudade de quem já não tenho. De quem me deixou cedo de
mais, antes de eu saber despedir-me como deve ser. Aquela burrice de não
perceber que era o fim, não o fim da relação, mas o fim da tua vida…”quando um
dia olhares para o céu vês o sol a brilhar e vais-te lembrar de mim, de nós de
tudo o que vivemos juntos, de todas as loucuras que fizemos e vais sorrir,
porque eu quero que seja assim.!!
Há saudades que moram no corpo. Que se instalam no peito e
pesam. Que aparecem quando tudo está em silêncio, ou quando a vida grita alto
demais. Saudade do tempo com tempo. Do tempo em íamos correr para o Fontelo,
onde jogávamos à bola…íamos para o apartamento com um cansaço e um brilho nos
olhos…gostava de viver ali contigo, naquela cidade…
Porque amar é isso — deixar saudades até quando já não
estamos.

