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sábado, 24 de outubro de 2009

Um desejo de nada


"Fui onze vezes ao deserto do Sahara.(...)A devoção tornou-se assim uma espécie de obsessão, aos olhos dos amigos ou de estranhos: perguntam-me frequentemente o que é que eu lá procuro e o que é que encontro. E a esta pergunta tão simples e tão vasta, costuma dar as minhas respostas preferidas: não procura nada e não se encontra o que se procura, mas o que se encontra. (…) O que é que se procura num deserto? Por definição, nada. O deserto é a ausência de tudo. É esse afinal, o segredo desta estranha atracção: a ausência de tudo equivale ao principio de tudo, como uma página em branco. (…) Porquê, então, este desejo veemente de deserto, esta vontade de nada, de vazio absoluto, esta viagem ao mais fundo de nós mesmos – lá, onde não resta sombra de arrogância, de orgulho, e da sabedoria que julgamos ter? Talvez (vou enfim arriscar uma resposta…) porque ali estamos sós com o Absoluto, ali, se os Deuses existem, é o mais próximo deles que podemos estar, porque ali reside, mesmo que jamais decifremos, a chave para o eterno enigma da Criação. É ali que começa a vida, é o nosso útero, o princípio de todas as coisas. Só então ficamos a saber que tudo o resto são circunstâncias. "
Miguel Sousa Tavares in não te deixarei morrer David Crockett
E porque dizes-te que aceitarias sugestões para as tuas viagens esta é a que eu te dou … esta era aquela que eu faria se pudesse.

segunda-feira, 23 de março de 2009

The End

É no fim que está o sentido.
O sentido está na despedida e no reencontro, no adeus e no olá.
Só no fim de tudo encontramos o prazer nunca até então entendido.
Só no fim ou no final das coisas, em que "voltamos atrás", e as sentimos a percorrer a nossa mente a uma velocidade fulgurante, à velocidade da luz.