Há dias em que o mundo inteiro cabe num abraço que, à
partida, nem devia existir.
O Punch, aquele macaco pequeno que se agarrou a um peluche
como se fosse casa, lembra-nos uma coisa simples, que nem sempre a família é
quem nos trouxe ao mundo. Às vezes é quem fica. Quem escolhe ficar.
E há uma liberdade estranha nisso.
Porque crescemos a achar que tudo tem de fazer sentido para
os outros. Que a forma como amamos precisa de explicação, de lógica, de
aprovação quase pública. Como se houvesse um manual invisível que toda a gente
segue e ninguém viu.
Depois a vida acontece, meio drama, meio comédia, aquela
ironia que se ri baixinho e mostra-nos que o sentido não é universal. É íntimo.
É nosso.
Às vezes escolhemos pessoas improváveis. Às vezes escolhemos
silêncios que nos fazem bem. Às vezes ficamos onde ninguém percebe porquê.
E está tudo certo.
Porque o que não faz sentido para o mundo pode ser exatamente
o que nos salva por dentro.
Há famílias que vêm do sangue. Outras vêm da insistência. De
um “fica mais um bocadinho”. De alguém que não foge quando já era fácil fugir.
E, tantas vezes, pouco é tanto.
Uma mensagem no momento certo. Um café sem pressa. Um ombro
imperfeito, mas presente.
Não precisamos de muito para continuar, às vezes só de algo
que nos lembre que não estamos sozinhos, mesmo quando parece.
Talvez seja isso que o Punch nos ensina, que o amor não
precisa de ser perfeito, só de estar lá. E que todos nós carregamos uma espécie
de peluche invisível, qualquer coisa que nos segura quando quase caímos.
Talvez a vida seja isto, tipo poder encontrar aquilo que nos
ampara, mesmo que ninguém perceba porquê.
E seguir. Devagar. Mas seguir







