"Não gosto de café morno, de conversa mole, nem de
noite sem estrela. Sou bem mais feliz que triste, mas às vezes fico distante. E perco-me em mim como se não houvesse começo nem fim nessa coisa de pensar e
achar explicação para vida. Explicação mesmo, eu sei: não há. E agarro-me no meu
sentir porque, no fundo, só meu coração sabe. E é esse mesmo coração que me guia
e não quer grades nem cobranças, às vezes deixa-me sem rumo, com uma
interrogação bem no meio da frase: O que eu quero mesmo?
Por isso, eu peço-te (de um jeito meio sem-vergonha, que é
assim que eu costumo ser): se eu gostar de ti, tenha a gentileza de não me
deixar tão solta. Não me perguntes aonde vou, mas pede-me para voltar. Sou fácil
de ler, mas não tentes descobrir porque o mesmo refrão insiste em tocar tanto.
Se eu gostar de ti, tem a delicadeza de também gostar de mim. E deixa-mr
ser, assim, exactamente como eu sou."
