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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Sou duas mulheres

Existem duas mulheres dentro de mim. Uma é ética, temente, sóbria, regida por princípios; a outra é passional, apaixonada e egoísta. Todos nós somos assim, temos o nosso lado bom e o nosso lado ruim. Assumo os meus defeitos. Sou humana.
Sou também uma mulher sentimentalmente burra. Inconstante às vezes, exactamente porque vivo numa guerra constante com estas duas mulheres que vivem em mim. Uma auto-julga-se, a outra joga-se no abismo pela adrenalina do salto, sem temer a dor da queda, sempre inevitável.

Tenho um coração de manteiga derretida, escondido dentro de uma falsa armadura. Ele derrete-se por um alguém. Penso nele todos os dias não devia pensar para assim me tentar manter sóbria do vício e da loucura que é minha paixão por ele. Que loucura! Penso sempre, mas fico inerte diante de um sentimento que eu não quero sentir.

Odeio a inércia e ela persegue-me. Tenho um coração louco, desvairado e burro.

Sinto-me escrava desta mulher apaixonada e passional que vive em mim, contra a minha vontade. Eu odeio-a. Queria dar-lhe umas palmadas, dizer-lhe umas verdades, mas ela não me ouve e quando ouve, mantêm-se quieta por um tempo e volta em seguida a consumir a droga que a destrói: o amor. Fico inerte mais uma vez.

Por uma Andorinha