Jogo de ser e não ser. De cerrar os dentes. De aguentar.
Esperar até onde o tempo me leve. Até onde o espaço não me aprisionar. Mas, e
agora? Se ainda me dói tanto...
Tento. Mais uma vez. E atravesso-me de lanças, na esperança
de conseguir matar este amor destroçado, que vou arrastando, por ti e para ti.
Porquê? Grito! Grito-me! Grito-te!
Porque não me ouves? Porque me deixas sempre com esta
sensação de flor que apenas ouviu a chuva ou que nunca sentiu o pousar de uma
borboleta? Porque fico eu com esta sensação de folha de jornal abandonado, num
jardim qualquer, a encharcar-me nessas gotas, lágrimas de nuvem?
Eu quero lá saber se os outros compreendem o que sinto, ou
mesmo o que escrevo aqui. De que me vale talhar-te versos, recortar-te sonetos,
aprisionar-te em linhas, se o caminho que levas para afastar-te de mim é das
prosas mais frias que li?
Já estivemos próximos, sabes? Tão próximos, e tu
afastaste-te e tentei esquecer, pensei que seria melhor. Depois veio a falta,
sim, a falta. E eu julguei que fosse fácil esquecer. Mas afinal não foi.
Da ingenuidade que sofro, levo a ideia que talvez ainda
penses em mim. Da áspera sensação de abandono que me fazes sentir, levo que
talvez pouco leves de mim.
Mas e então, se tão impossível e cheio de dores é, porque
continuo eu aqui?
Sabes explicar-me?
Vou fumar um cigarro...talvez acalme....














