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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Confesso

Confesso que por vezes dou comigo a pensar em ti, em nós,
Confesso que guardei as fotografias no P.C. e que todas as noites antes de me deitar as olho com saudade.
Confesso que ao escutar aquela música sou capaz de sentir todas as borboletas na barriga que senti naquela noite de 26 de junho.
Confesso que quando o medo impede-me de agir eu desespero pelo teu sorriso, pelo teu entrelaçar de dedos que em tempos, me dava forças para prosseguir.
Confesso que me emociono sempre que na rua me cruzo com casais felizes e penso que eu um  dia sonhei estar assim contigo.
Confesso que deixei desmoronar todos os meus sonhos.
Confesso que estas lágrimas e esta dor têm dado cabo de mim.
Confesso que ainda te tenho mais amor do que antes.
Confesso que dava tudo para te ter de volta, a partilhar alegrias e tristezas, sorrisos, entrelaçar de dedos.
Confesso que cada dia sem ti é como olhar o céu sob uma tempestade, que cada um magoa mais do que outro e é igual a todos os que já se passaram.
 Confesso que perco o chão a cada passo que dou, que não tenho mais porto seguro.
 Confesso que te amo e esquecer-te parece impossível...

Dói-me a vida.


- Dói-me a vida, doutor.
(...)
- E o que fazes quando te assaltam essas dores?
- O que melhor sei fazer, excelência....

- E o que é?
- É sonhar.
Dói-te alguma coisa?
Mia Couto, in "o fio das missangas".
 
e o meu sonho é:
Sonho com um amor em que duas pessoas compartilham uma paixão de buscar juntas uma verdade mais elevada.
Talvez não devesse chamá-lo de amor. Talvez seu nome ideal seja amizade.
 Friedrich Nietzsche

sábado, 12 de abril de 2014

(...)


"Porque temos de sobreviver. Porque, à noite, a esta hora, temos de encontrar força para conseguirmos dormir, descansar e temos de acreditar que no dia seguinte, poderemos acordar na vida que quisemos, que desejámos. Temos de acreditar que poderemos acordar na vida que conseguimos construir e que essa vida tem valor, vale a pena. Muito mais difícil do que esse esforço é considerarmos que fomos incapazes, que não conseguimos melhor, que a culpa foi nossa, toda e exclusiva.' ' José Luís Peixoto

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A fronteira

 
 
Por vezes a crueldade mistura-se com aquilo que dizem ser frontalidade. A mim, espanta-me o facto de as pessoas se dizerem frontais, quando no fundo estão a ofender os sentimentos dos outros e nada mais. É uma versão entre o rebuçado e a goma. Um dia depois do ontem. Um amanhã depois do hoje. 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Então é isto a vida?

 
Um não constante, um não pode ser... Um não é isto. Aquilo também não. Não é por aí. Ter que adiar ou esquecer vontades. Abrir mão de sonhos. Uma luta constante. Um rol de desilusões. De marcas. De pesos que nos impedem de avançar. Um acinzentado dos dias. Um vazio. Uma insatisfação. Dores. Caminhos difíceis. Afinal a vida é só isto?!

 Não pode ser!!!
 Já vinha de lá a parte boa da vida... Já estava na horinha!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Acredito...


Acredito no não dito que nunca será traído pelo dito.
Acredito que sentias por mim mais do que aquele tesão louco.
Acredito que aquelas palavras duras que me disseste e que guardo cá dentro com mágoa, foram ditas no impulso do momento...
Acredito que tenhas tido saudades minhas.
No entanto,
não acredito numa única palavra do que me não disseste, para além daquilo que sinto ser a verdade de toda a nossa mentira.
A realidade é dura e cruel mas as coisas foram como foram.
Mudámos,
e mudar é viver e viver equivale a termos mudado muitas vezes. O poder afirmativo da ausência, afastará as lembranças que serão cruelmente desfeitas pelo tempo.
Andorinha voa,Voa para longe...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Começo ou o Fim

Certeza?
De nada.
Aguardando
Imprevistos
Qualquer hora
Qualquer lugar
Viver em aventura
Pronta para partir
Em qualquer madrugada
Ou anoitecer.
Estou sempre
a despedir-me, das
pessoas, coisas, lugares
e muitas vezes
nem sei
se o instante que vivo
é o começo ou o fim.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Tenho um aperto no peito

Tenho um aperto no peito que me sufoca...
o meu olhar está longe,
olho e não vejo nada...
Estou perdida dentro de mim mesma......
onde só encontro as minhas tristezas,
os meus medos e aflições...
Talvez as minhas frases pareçam um tanto quanto vazias,
mas é tudo que o meu coração consegue expressar neste momento......
o que me faz ser fria, sem querer.

"I'm searching for answers not given for free
You're hurting inside is there life within me?
You're holding my hand but you don't understand
So you're taking the road all alone in the end"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

No Arame Farpado


De manhã, coloco os pés no chão e percebo que o meu solo já não é composto por relva macia. Olho para o dia que se desenha à minha frente e vejo-o como uma oportunidade única. É uma dádiva da vida. Assim que os meus pés tocam a aspereza da terra, consciencializo-me que tenho mais um percurso de travessia. Começo por respirar fundo e tentar encher cada célula de luz, cada poro de vida. Lentamente os meus pés, descalços e nus, sentem a instabilidade do arame farpado, sentem os picos do arame farpado a entranharem-se na minha carne ainda tenra. Pé ante pé, sigo em frente, com a cabeça erguida, olhos postos na linha do horizonte. Em cada posição do pé, surge uma nova realidade, (o meu cérebro traiu-me), quase que perco o equilibrio, a visão fica turva, a minha memoria está fraca...E a travessia continua… enquanto os meus pés deslizam, sangrando e frágeis. O dia termina… deixo os pés repousar... Observo o meu corpo e faço o balanço: calcanhares em chagas, braços sem força, o corpo sovado pelo cansaço, o olhar sem brilho… mas consegui chegar à outra margem, sem ter perdido o equilíbrio, sem ter caído, sem ter perdido o fio que me liga à vida.


"The burning desire to live and roam free
It shines in the dark and it grows within me
You're holding my hand, but you don't understand
So where I am going, you won't be in the end"